Clara Averbuck é escritora e foi uma das pioneiras da blogosfera no Brasil, com o blog brazileira!preta, de 2001. Tem 9 livros publicados (Máquina de Pinball, 2002; Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante, 2003; Vida de Gato, 2004; Nossa Senhora da Pequena Morte, 2008; Cidade Grande no Escuro, 2012; Eu Quero Ser Eu, 2014; e Toureando o Diabo (2016), já teve a obra adaptada para cinema e teatro, já colaborou com incontáveis jornais, revistas e portais e é uma das criadoras do site Lugar de Mulher.

contato profissional: alessandra@authoriastudio.com.br

Biografia


por Paulo Terron

Dezessete anos é uma vida – mas pouca gente sabe usar uma vida com tanta intensidade e vigor quanto Clara Averbuck. Uma breve recapitulação: No fim dos anos 90, o mundo da literatura brasileira era bem chato. Os grandes autores continuavam grandes, e os novos… Bem, os novos nunca deixavam de ser novos porque desapareciam antes mesmo de vingarem. Seguindo um modelo quase punk, a renovação veio da margem.​

A principal efervescência estava do Rio Grande do Sul. Um fanzine distribuído pela internet – aquela grande novidade que começava a ligar o país de uma forma excitante e reveladora – começou a conquistar o público leitor e, consequentemente, “exportou” seus autores para o mainstream. Saíram do CardosOnline, o tal fanzine, Daniel Pellizzari, Daniel Galera e Clara Averbuck. ​

Clara, nascida em Porto Alegre em 26 de maio de 1979, passou a escrever para revistas como Showbizz, Trip e Tpm. Ela também teve uma breve experiência no cinema, interpretando uma prostituta no curta Nocturnu, de Dennison Ramalho (mais tarde premiado em Gramado por outro trabalho, Amor Só de Mãe). E voltaria a esse universo futuramente.​

A literatura não estava preparada para Clara Averbuck, mas ela venceu na insistência e no talento. Deixou Porto Alegre para trás e encarou São Paulo na base da pancada. Nessa época, o CardosOnline chegou ao fim e ela criou o agora lendário (e extinto) blog Brazileira!Preta, com o qual formou rapidamente um exército de fiéis seguidores.​

A dureza paulistana e a paixão pela literatura resultaram em Máquina de Pinball, lançado pela editora Conrad em 2002. O livro conta a história de Camila, um alter ego da autora, que persegue o amor sem pausa para descanso. Ou melhor, com pequenas pausas apenas para o sexo casual. Ah, e ela também escreve. E sofre. E bebe. E usa drogas. O mais incrível é que, ao juntar tudo isso em um livro, Clara ajudava a romper um tabu de décadas – sim, todas essas atitudes ainda são repreensíveis em uma garota. “A auto-referência e a estética punk são as principais características, em um mundo repleto de figuras como notívagos, outsiders e afins (dos quais tais artistas fazem parte)”, observou o jornal Folha de S. Paulo na época do lançamento. A obra também ganhou destaque em outros jornais, como O Estado de S. Paulo, Gazeta do Povo e Zero Hora, além de inúmeras revistas e sites, da Set ao UOL. “Estar fodida é sair no jornal e não possuir reais para comprá-lo”, reclamava Clara no blog.​

O ator e diretor Antonio Abujamra tem uma opinião semelhante. “Difícil ver uma contemporaneidade mais poética em brasilidade”, escreveu no prefácio da obra. “É um livro que os que sabem ver a coisas e os que não sabem ver as coisas lerão como alimento indispensável para devorar seus contentamentos.” E foi pela adaptação de Abujamra e Alan Castelo que Máquina chegou aos palcos cariocas. Na seqüência, a autora recebeu uma proposta do diretor Murilo Salles para a adaptação cinematográfica do livro, que chegou às telas como Nome Próprio em 2008, com Leandra Leal no papel de Camila. O projeto havia sido selecionado entre outros 800 pelo Instituto Telemar e recebeu R$ 1 milhão e seguiu recebendo prêmios especializados, tanto para Leandra quanto para o diretor de arte Pedro Paulo de Souza.​

No embalo de Máquina de Pinball, Clara começou a escrever Vida de Gato – precedido pela coletânea de textos do Brazileira!Preta, Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante (7 Letras). Paralelamente, Clara Averbuck foi publicada pela primeira vez no exterior, em uma coletânea portuguesa de nome sutil, Putas, e também integrou a coletânea 25 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira.​

Enquanto esperava a publicação do novo livro (Vida de Gato, uma espécie de continuação de Máquina de Pinball, seria lançado mais tarde, pela Editora Planeta e publicado no Reino Unido pela Future Fiction), Clara retomou uma paixão antiga e formou o grupo Jazzie & os Vendidos, uma banda de rock com um pé e meio no blues. Ela era a vocalista. A banda era feita de coração e instrumentos, mas chegou ao fim em 2005. Mais tarde esse mesmo espírito seria reencarnado em outro projeto, o Oneyedcats, que terminou em 2010. ​

Nossa Senhora da Pequena Morte veio em 2008 em formato diferente: um volume peculiar, assinado, numerado e limitado, alojado dentro de um disco de vinil, com textos e ilustrações integradas. As folhas vêm soltas. Os vinis foram garimpados em sebos paulistanos, e as ilustrações e concepção foram uma parceria com a designer e ilustradora Eva Uviedo.​

Também em 2008, a literatura de Clara atravessou os mares mais uma vez e ela foi junto no lançamento de Cat Life, tradução do Vida de Gato, em Londres, na Inglaterra, pela editora Future Fiction London, um braço da Rabbit, radicada em Nova York.​

Eu Quero Ser Eu, um romance adolescente, foi contemplado pelo Programa Petrobrás Cultural, e foi lançado em 2014, agradando tanto o público alvo quanto o público adulto. Antes dele, Cidade Grande no Escuro (2012) reuniu textos que haviam sido publicados em sites, revistas e jornais ao longo da última década – e acompanhou o relançamento de Máquina de Pinball, Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante e Vida de Gato, todos pela Editora 7 Letras. ​

No meio de 2014, em uma nova experiência, Clara buscou a plataforma de financiamento coletivo Catarse, arrecadou dinheiro para lançar seu próximo livro de forma independente, sem ter editoras ou livrarias como intermediários. Seu projeto foi extremamente bem sucedido e, depois de um grande aprendizado sobre as dificuldades sobre o mercado independente, foi lançado em 2016. Toureando o Diabo, seu sétimo livro, é mais uma parceria com a ilustradora Eva Uviedo e ressuscita a personagem Camila, adormecida desde Vida de Gato. O livro foi lançado no início de 2016.​

Também em 2014, aliada a duas de suas melhores amigas, Mari Messias e Ana Paula Barbi, Clara lançou o site Lugar de Mulher, que rapidamente virou referência para mulheres, publicações femininas e até publicidade por ter uma abordagem de viés feminista das questões cotidianas. ​

Como se não bastasse, está fazendo um disco com Enzo Banzo, um dos compositores e vocalistas da banda Porcas Borboletas, de Belo Horizonte. Antes dos 40 ele sai. ​

Parece muita coisa para 38 anos. Só que tem mais: enquanto escrevia, Clara passou por todos os cantos. Todos mesmo: trabalhou para o portal Vírgula e no Portal R7, fez vídeos para a internet, desenvolveu pilotos para a televisão, escreveu roteiros, trabalhou com publicidade e consultoria. Tudo isso enquanto criava a filha Catarina. E vivia. Intensamente. Em uma década que, para uma pessoa média, corresponderia a uns 100 anos. Felizmente, para ela e para nós, é só o começo.

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